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Exposição Espaços Alternativos IV - curadoria José Rosinhas | 2018 | Fábrica Braço de Prata, Lisboa

Inês Correia, Comissária do projecto "LivrObjecto - Anatomia e Arquitectura", Nuno Nabais, diretor da Fábrica Braço de Prata" e José Rosinhas, diretor do projecto José Rosinhas Art Gallery Wall, convidam V. Exa. para a inauguração da exposição de livros de artista "Espaços Alternativos IV". O referido evento será no dia 06 de dezembro, às 19h00, na Fábrica Braço de Prata, Lisboa.

A exposição estará patente ao público até ao dia 04 de janeiro de 2018.

Artistas convidados: Agostinho Santos, Ana Romero, Do Carmo Vieira, Helena Rocio Janeiro, Joanna Latka, João Batista, José Rosinhas, Madame Zine, Maria Afonso, Miriam Rodrigues, Renata Carneiro, Sílvia Simões e Susana Bravo.
















It's Alive! Minnesota Center for Book Arts - The Bakken Museum


Artist Book: Eternal Light | A suddent light broke in upon me

Year of completion: 2016
Medium/Materials: Wood box; ilustrations and photography tranfered to canvas; Envellope and letters written by hand; chemical instrument; cotton yard, metal bottons; small book hand made.

Inspired on some chapters of Mary Selley´s book the idea od a female "bride" for Frankenstein, as it was his will, to have some one to "love", expresses not just the scientifc approach of the creation but also an emotional need to fulfill the complete task of a new beeing. But some questions remain, we can create the machine, we can invent even a new kind of living body, but can we invent love? Or is just this the eternal light we all want to reach... onde day... but that we will never be able to control?

Madame Zine



What may not be expected in a country of eternal light?

“From the midst of this darkness a sudden light broke in upon me—a light so brilliant and wondrous.”
Light reveals, illuminates, clarifies; it is essential for seeing, and seeing is the way to knowledge. Just as light can illuminate, however, so can it blind; pleasantly warm at moderate levels, it ignites dangerous flames at higher ones. Thus, light is balanced always by fire, the promise of new discovery by the danger of unpredictable—and perhaps tragic—consequences.












Exhibition: It's Alive! August 5, 2016 - October 31, 2016

Minnesota Center for Book Arts - The Bakken Museum



Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa (Livro de Artista) 2016


“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” contém uma série de páginas feitas a partir de colagens, desenhos, apropriações de fragmentos riscados, cortados e encaixados entre si, algumas destas páginas serviram também para um projecto de arte postal intitulado “Excavations” que de remete de certa forma para o seu esboço de argumentos,, acrescentando apenas a explicação inerente à própria frase do título deste livro de capa preta: "uma", artigo indefinido; "outra", pronome adjunto indefinido; "é", forma do verbo ser, copulativo e de significação indefinida; e "coisa", de significação imprecisa e subentendendo tudo o que quisermos. 
Texto: Cristina de OAlves (Madame Zine)

Técnica/Materiais: Capapreta caderno Winsor & Newton, jornais, recortes, colagens, desenhos, impressões em fotocópia, carimbos.

Recortes de Fragmentos das Cit-ações (Livro de Artista) 2013-21016








































Ler um texto ou uma imagem, pensá-los, explaná-los, são exercícios de associação, de cruzamento de ideias e de memórias, de modo consciente ou inconsciente apropriamo-nos dos sentidos por eles convocados e extraímos deles os focos de atenção ora provocados ora provocadores. Não sei se haverá algo de novo em nós a não ser nós mesmos, e mesmo assim até isso é passível de ser conjeturado se atendermos aos factores genéticos, ao ADN, às heranças culturais, e a todas as hereditariedades do ser e do fazer. O que haverá de novo aqui, nestes cadernos-livro inseridos em capas vermelhas, são exercícios de aprendizagem, são construções singulares feitas de pequenos recortes, de fragmentos e de citações, conferindo-lhes um outro significado. “A apropriação artística pode a princípio ser pensada como uma prática para endossar a corrente que afirma que a autoria na arte é uma noção ultrapassada ou equivocada. (…) a apropriação reside no fato de que os artistas vêm propor algum novo sentido ou tornar possível uma nova leitura a partir da obra escolhida para então assim tornar seu trabalho legítimo de alguma forma.” Da mesma maneira que quando as citações teóricas passam a ser uma acção dá-se muitas vezes a perda do nome do autor porque a sua identidade passa a ser de quem as coloca em prática e não de quem as teoriza. 
Texto: Cristina de OAlves (Madame Zine)

Técnica/Materiais: Capas vermelhas Moleskine, jornais, recortes, colagens, desenhos, impressões em fotocópia, carimbos.

Ah, os dias felizes! (Livro de Artista), 2016



 

Fazer para prosseguir, dizer para continuar – o tempo contra o espaço. As estações, as interrupções, o finito infinito, cruzando passado, presente e futuro, são “os outros dias que se sonharam, são os dias que poderiam ter sido, são os dias que virão a ser, são os dias que só depois o terão sido, os dias de hoje também."
“Que está aquela ali a fazer? diz ele – que sentido tem? diz ele.”
A partir do texto de Samuel Beckett “Ah! Os dias felizes.” segue-se um monólogo, autodiálogo,de uma personagem central, mulher, onde em vez de enterrada no solo, como a personagem de Beckett, se situa numa janela aberta a quem passa. Alterando a expressão de espanto para momentos de suspensão do todo, exclamando o final de uma frase vezes sem conta, numa sucessão de encadeamentos, de fragmentos e repetições, dão-se os encontros, consigo, com o mundo, com a vida.
“E isto? pergunto eu – é suposto ser o quê?”
Texto: Cristina de OAlves (Madame Zine)

Técnica/Materiais:Transferência de imagem sobre tela (fotografia), com aguarela e tinta acrílica, livro com diversos tipos de papel colados e fotografias de auto-retratos sobre papel de aguarela, moldura, dobradiças e fecho de metal.






Sheffield International Artist's Book Prize 2015

The Sheffield International Artist’s Book Prize is organized by and held at Bank Street Arts in Sheffield. As a hybrid Arts Centre, keen to encourage multi-disciplinary work, artist’s books are a natural area of interest for all those involved with the organization. The Prize was originally a response to the challenge to find an appropriate context for showing artist’s books and one that would fit with the Centre’s aims of innovation and inclusivity.

My participation!






                                                             Tiles everywhere, 2015                                                    


Mixed media. Photography of different tiles - creating a composition of clothes and a painel transfered to a canvas. Drawing with stylo on Eva's of a portuguese facade and a 3D  drying rack. And a story must be told: Seeing through. Porto, the city, the books, the maps, the poems, the people, the views, the belvederes, the alleys, the “around the corner”, the stories, the words and all colours. The white. Blue, yellow, some red, pink, ochre, green, grey. The façades, doors wide open, windows with clotheslines, the gossipers, the neighbours, the living street. Tiles everywhere. 

Percursos, (Livro de Artista) 2015

As cidades revelam-se e pergunto-me com os pés no ar como revelar uma cidade transferindo o que dela em nós se edificou. E pouso os pés, se eu tivesse de escolher um escritor do Porto, que me tivesse revelado o Porto, escolheria vários mas seleccionaria três, Sophia de Mello Breyner, Agustina Bessa-Luís e Eugénio de Andrade. Se tivesse de escolher um pintor para representar o Porto era o Jaime Isidoro. E sigo a pé pelas ruas, observando, uma cor seria o azul e uma imagem seria o azulejo. Azul, contudo, a densidade portuense, tal como a neblina, é branca, tal como a junção de todas as cores do espectro visível. E quando caminho, sinto esta densidade que vibra na memória do som da cidade onde vivo, da poesia e do mar, e tudo me ocorre e está ali, aqui, em mim. É como dizer de modo mais simples o complexo, que as cidades têm ruas que se cruzam, então quando deambulo por aí, às vezes, parece-me que o Porto é só uma rua, de múltiplos sentidos, com várias artérias convergentes, um mapa em aberto que vou lendo e redesenhando enquanto admiro as obras dos seus artistas e a vida das suas gentes.
Texto: Cristina de OAlves (Madame Zine)

Técnica/Materiais: Conjunto de 5 peças (ao todo 10 telas sobre bastidores de madeira unidas com dobradiças, com aplicação da técnica de transferência fotográfica sobre as telas e tinta acrílica com gesso), imagens e texto impressos em papel cartão, mapa do Porto recortado, som da cidade com leitura de texto e fragmentos de diversos poemas, de Eugénio de Andrade, Sophia de Mello e Breyner Andressen e Agustina Bessa Luís.




Anjo Caído, (Livro de artista) 2015


 Livros que nos caem nos braços, seguros pelas mãos de delicadas conexões. Tenho andado a reler e a redescobrir livros e textos e poemas que têm o Porto na alma, que «representam o estado de alma do poeta nas variadas, incertas e vacilantes oscilações do espírito». E entre as leituras, ao deparar-me com o poema “anjo caído”, in Folhas caídas (1853), do Almeida Garrett, surgiu-me uma imagem outrora fotografada por mim numa visita às oficinas da actual Fundação José Rodrigues, no Porto. Suspensa no tecto, pendurada numas correntes de ferro, pendia uma escultura serena, com o ar condizente ao que podia ser a representação de um anjo, ou do que, a ser um anjo, poderia ter sido uma mulher que se abandonara ao espanto de poder ter sido uma sereia. A possibilidade de um suicídio ou de um martírio foi toldando a serenidade e vi, rodando em volta da escultura, a transfiguração do rosto em diversas perspetivas. Uma outra fotografia se iluminou nos meus pensamentos, a de um farol no paredão do Passeio Alegre, num dia de mar encrespado e de intensa neblina. Acresce a um sentimento passivo, contemplativo, a suspensão do desconhecido, o aumento da pulsação e a extensão-complemento romântico da trama, e tal como uma onda que embate estrondosa estilhaçando rochas solta-se no poema um grito semelhante à fragilidade de umas asas quebradas. Assim se transcreveu na transparência o poema em páginas e se “o anjo à vida não volveu” na arte deixou rumores e nos sonhos as asas.
Texto: Cristina de OAlves (Madame Zine)

Técnicas/Materiais: Transferência fotográfica sobre tela, tinta acrílica com gesso, tela sobre bastidor de madeira e dobradiças, penas, cartão, papel de acetato, tinta branca de transferência para acetato, transcrição do texto/fragmento do poema “anjo caído” de Almeida Garrett





Aparições, (Livro de Artista) 2015








O que será uma aparição? Um romance de Vergílio Ferreira*, e o próprio escritor, que muito admiro, é ele também uma aparição descoberta; uma inesperada revelação que me traz a manifestação súbita de um ente ou uma espera que sabemos que chega mas não sabemos quando; a surpresa de uma luz tremeluzente que se avista ao abrir uma antiga caixa baú; um fotolito encontrado na feira da Vandoma que consegui imprimir, mesmo que já carregado de alguma ferrugem e oxidação, num papel onde aparece a figura de uma menina à frente de uma árvore; o milagre do ver, as visões de Nossa Senhora, os pastorinhos, a azinheira e o prodígio solar de Fátima. E foi desta forma, amálgama de despojos, que me fui somando ao fluxo de vivências que decorrem no mundo, para dele me saber e dele me ver alheia, é este o enredo do livro que construí, com um certo cariz de mistério, de transcendência, de fantasmagoria, de ilusão e de milagre. Assim «*só há um problema para a vida, que é o de saber a minha condição e de restaurar a partir daí a plenitude de tudo (...). Ah, ter a evidência ácida do milagre do que sou, de como infinitamente é necessário que eu esteja vivo, e ver depois, em fulgor, que tenho de morrer».
Texto: Cristina de OAlves (Madame Zine)

Técnica/Materiais: caixa de madeira, vela de pilha, gravura calcográfica, envelope com papel artesanal, tela em moldura com transferência de imagem manual, tinta acrílica, graxa, cola branca, papel vegetal, livro com papel de aguarela e impressão fotográfica.




work in progress: Um livro dentro de um livro (a partir do poemário "Um livro" de Camilo Castelo Branco) | 2015

 Ainda em fase de preparação, mais um livro de artista dedicado e pensado a partir da obra do escritor português Camilo Castelo Branco. Todos os livros de artista que remetem para uma intervenção minha ou uma reconstrução sobre um livro já publicado têm acontecido pelo acaso dos encontros. Vêm parar às minhas mãos, ou em feiras de velharias, ou lojas de antiguidades, antiquários, ou mesmo em pesquisas temáticas na internet e depois disso a curiosidade desperta, as ideias acontecem e a necessidade de construir algo torna-se uma energia captadora de novas pesquisas e afazeres. Aliás, se me perguntam qual o meu método esse é quase sempre o seu início, o acaso quando se cruza com a vontade revela(nos). E foi assim que fui descobrindo o Camilo como autor de inúmeros livros, de uma quantidade (para além da qualidade) imensa, e cujo espanto tem sido o meu maior motivo de trabalho em volta e sobre alguns dos seus textos. Aqueles que me têm surpreendido mais são traduções e/ou livros "mistério" que supostamente ele os fez mas pouco se sabe ainda sobre eles.
Descobrir um livro que se chama "um livro" foi um desses momentos de feliz despertar da curiosidade.

Como diz o próprio prefácio da obra:
"Um livro... Um livro! O título não diz nada à força de dizer tudo. Que
pensamento dominaria o autor quando assim batizava a sua obra? Seria o
espírito da vaidade ou do orgulho que entendera haver escrito o livro por
excelência nos versos que dava ao mundo? Seria antes fantasia de poeta que
deixava no indefinido o que era talvez indefinível? É certo que o misterioso tem
a atração do espírito; é certo que a vontade se prende ao desconhecido; é certo
que a fantasia se compras de se demorar no enigma.
(...)
Transcrever aqui os trechos que mais nos impressionaram fora tarefa prolixa e
improveitosa. O livro é tão repassado de melancolias que num momento os 13
nossos rostos imberbes assumiram as tintas daquela tristeza suave que formam
o seu fundo e o seu tom característico. Estávamos identificados com o poeta. A
isso nos convidava a primeira estrofe do poema:
Soledade, triste amiga,
vim buscar nos teus afagos
suavidade à minha cruz;
dá-me aqueles sonhos vagos,
aquelas crenças ditosas,
em que a alma folga e espera
paz e amor, esp’rança e luz.
Era um coração que se nos apresentava triste foi-nos bem-vindo assim.
Começava a narração dos suaves amores do poeta; amores entrelaçados de
açucenas e saudades, de inocências e amarguras.
(...)
***
Camilo: Já vê; escrevi de si o menos que podia; menos, muito menos do que
devia.
Não o coloco abaixo nem acima de pessoa alguma; não o quis comparar. O lugar
que lhe pertence na hierarquia literária não é nem pode ser mercê de ninguém.
A liturgia pára onde começam as legitimas conquistas. O que o seu talento lhe
ganhou, é seu por direito próprio. Negar-lho é um crime; oferecer-lho uma
indelicadeza.
Sei que Um livro não é a sua obra predileta; acusa-lhe muitos defeitos, e alguns
terá; mas eu não vejo nele senão o muito que lhe quero. 18
Consinta pois que no princípio ou no fim da terceira edição fique nele o meu
nome subscrevendo este singelo documento da muita admiração e amizade que
lhe consagra.
Lisboa, 8 de Setembro de 1865
Tomás Ribeiro"